Hoje tive vontade de chorar, meus olhos lentamente fecharam-se e vi uma distorção começando a aparecer. Primeiro foi poucos, mas logo depois meus olhos foram tomados pelas pesadas lágrimas . Essas tão singelas e pequenas, sempre bonitas e nunca feias, trazem o peso da felicidade ou tristeza. Pelso este que como propriamente dito é repleto de cargas.
Nunca me vi tão sensível a ponto de traçar um caminho deste. Caminho que atravessou todas as minhas imensas pálpebras, que esbarrou no meu nariz e enfim esvaiu-se pelas minhas gorduxas bochechas. Caminho demorado, cheio de esperança e sentimento. Caminho este que tem por pseudônimo o nome lágrimas.
E depois de infidáveis cinco segundos de calafrios e arrepios um piscar longo gerou alívio. O rímel borrou, trouxe um sorriso e contagiou a todos que estavam presentes. A primeira lágrima, sofrida, como filho primogênito trouxe tantas outras. E um pequeno soluçar a interromper o movimento faz retornar o olhar ao causados disso tudo: uma manchete televisão.
Meu respirar em meio a um choro alegre e solidário foi gerando a vontade de também ajudar. Participar não só como telespectador, mas dividir as lágrimas de um exaustivo trabalho a também uma realização. Ver meus olhos encherem como uma mangueira cheia d'água pronta para esbanjar alegria. Quis ser co-particupante do sonho, de todo sentimento e da esperança.
Pessoas "realistas" nunca estão abertas para a simplicidade de uma lágrima que tenta com desespero tocar o rosto de alguém. Mas até eu pude ser quebrada ao ver o Papai Noel (que eu sempre desprezei) levar presentes às crianças carentes. Bobeira minha, muita bobeira. Hoje, eu tive vontade de chorar, e chorei...chorei muito.



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