fevereiro 26, 2018

8 anos de amor

|
Era meio dia e eu estava chegando em casa cansada da escola, porém feliz. Dei um sorrisão ao ver minha ver mãe que ainda estava deitada. "Ainda assim?", perguntei. Ela me disse para ir na sala e ver ao lado do sofá que entenderia. Segui as coordenadas e minha visão foi devastada por uma inundação de fofura.Tinha uma bolinha de pelo branca deitada no chão, escorando-se no sofá. Eu disse: "ei", mas ele não acordou, continuava dormindo. Era um cachorrinho. O cachorro mais fofo que eu já tinha visto.

Minha mãe veio e começamos a conversar sobre esse pacotinho de amor. Até que ele acordou e fui arrebatada tamanha lindeza. O bumbum dele cabia na palma da minha mão. Sua carinha era amassadinha, batida e seu cheio era de Natura. Foram vários os nomes que demos para ele ao longo dos dias, até que paramos em Duff. 

Nunca tinha experimentado pensar em outro ser além de mim mesma até esse momento. Fui envolvida por um sentimento que não conhecia. Práticas que levavam ao cuidado. Veja bem, eu sempre fui a caçula. Era acostumada a cuidarem de mim, não o contrário. Mas fui obrigada a sair da minha zona de conforto. Que experiência maravilhosa! Depois de uma grande perda veio a bonança.

Como em um estalo comecei a ver se ele tinha se alimentado, se precisava sair, se já estava na hora do seu remédio ou se tinha algum parasita preso nos seus pelinhos. Não me importava mais se ele queria dormir em cima de mim ou se fazia xixi no lugar errado. Errei muito tentando acertar. Achava que um filhote de cachorro aprenderia as coisas como uma criança. Mas aos poucos fui pegando o ritmo. Ele virou o dono da casa. As visitas eram obrigadas a cumprimentarem ele antes de nós. Fomos desenganados quanto a sua saúde, que dia difícil. Mas escolhemos ficar com ele mesmo assim.

Foram passando os anos e aquela bolinha de pelo ciumenta que tanto zoneava meu juízo, foi ocupando uma parte cada vez maior em mim. A maluca por cachorros finalmente tinha um cachorro. Um irmão postiço. Um melhor amigo. 

E depois de tantos anos juntos, chegou a hora da despedida. Eu ia mudar, morar bem longe e nossa rotina ia acabar. Confesso que chorei muito pensando que não ia ter mais meu neném me acordando ou me forçando a fazer carinho nele. Porque depois de tanto mimo, o cachorro ficou cheio de vontades e nós acostumamos a ceder. Só quem tem um bichinho sabe o que é.

Você sabe que apesar de todo mundo te julgar, seu cachorro vai estar lá com você olhando no fundo dos seus olhos e acreditando que é uma boa pessoa. Você também sabe que ele vai chegar perto com segundas intenções, querendo ração, carinho ou sair, mas vai se apaixonar pela sinceridade do coração dele. Você nunca vai encontrar um amigo tão leal e verdadeiro, que apesar de não falar, vai dizer tudo o que precisa pelo olhar e ficar do seu lado enquanto você chora. 

A sua vida vai virar de cabeça para baixo. Ele vai bagunçar tudo. Vai ter um monte de vontades. Vai detestar todas as festas de aniversário que você faz pra ele. Vai invadir o banheiro ou roubar o lixo. Vai sair correndo com alguma coisa sua na boca e puxar a barra da sua calça. Vai ficar agitado fora de hora, latindo para brincar. E com os anos, vai diminuindo o ritmo, só querendo ficar deitadinho recebendo carinho e te olhando com aqueles olhos de jabuticaba madura. Vocês vão envelhecer juntos e serão felizes por isso.

Ele nunca vai te pedir nada caro. Vai ficar feliz com aquele trapo ou com o bichinho do brechó. Vai ficar mais feliz ainda se puder roubar alguma coisa sua para roer. Sua atenção vai se voltar para ele todo santo dia e você nem vai mais ligar. Por ele, você vai falar mais baixo (porque ele tem medo de gritaria), você vai tentar ser saudável e vai mudar hábitos. Você vai mudar tanto com ele, por ele que nem vai mais se lembrar da vida sem ele.

Nos meus últimos meses em casa, deixei ele fazer o que queria. Ele sabia que eu ia partir, pois nunca ficou tão agarrado comigo. E eu, fui, mas eu nunca o deixei para trás. E hoje, um ano e dois meses depois, aprendi o valor da presença e da ausência. Vi o quanto somos mudados quando nos dedicamos ao outro estando perto ou longe. 

Por ele, abri um projeto para ajudar cães abandonados e comecei a pensar mais no que todos os protetores passam. Vi minha vida virar de cabeça para baixo com o maior amor que já pude experimentar. E mesmo a 40km de distância, estou aqui lembrando do meu Duffinho e de como a minha vida mudou há 8 anos, quando ele chegou.

Algumas pessoas não conseguem ver a oportunidade maravilhosa que é ter um bicho de estimação (que se torna da família pouco tempo depois). Você muda! Você passa a se desprender de si e só pensar no bem estar daquele ser que você é responsável por criar. Que não é igual a você, mas a quem você dedica tanto amor como se fosse. Você melhora,  não vive só para você, mas tem o leque expandido. 

Todo dia 26/02 é isso. Reflexão,  alegria, lágrimas de agradecimento a Deus por essa experiência.  8 anos de Duffinho, 8 anos que vimos tudo em nossa vida mudar. 

Você acha que sabe o que é amor? Tente pegar um bicho de estimação.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário é muito bem vindo! Tenha moderação, educação e respeito :) Beijo