janeiro 03, 2018

Minha trajetória em História #ufrrj

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Dia 10 de junho de 2013 começava um dos períodos mais novos da minha vida: a graduação de História. Eu já estava há 2 anos na universidade cursando zootecnia e achava que não seria um mundo novo trocar de um curso de agrárias para um de humanas. Tola. 

Logo no primeiro contato com a turma eu não gostei. Tinha recém completado 20 anos e me achava madura demais para a turma que era composta, em sua maioria, por alunos entre seus 17-18 anos e com cabeça de ensino médio. É claro que eu estava errada sobre mim, e que minha idade mental era completamente compatível com meus colegas de classe. Mas faz parte da "adolescência" tardia ou não, se achar mais maduro do que a realidade.



Na minha cabeça, uma faculdade de História era algo mais parecido com arqueologia. Eu queria ir para as fontes, para os documentos, para os museus. A pessoa nem sabia o método das coisas e já queria pôr a mão na massa. Normal. Mas para a minha sorte, o primeiro período foi recheado de professores super pacientes conosco. E olha, a minha turma dava um certo trabalho. Lembro que meus amigos de outros cursos sempre riam quando viam o pessoal aglomerado jogando futebol no pátio. Era engraçado mesmo, aliás. 

Como eu já tinha um bocado de amigos na faculdade e um namorado, não queria fazer amizades no curso. "Pra quê me envolver mais?"-  pensava. Mal sabia que grandes amizades seriam construídas ali no seio daquela gente maluca que eu aprendi a gostar. E se você está espantado com minha falta de bom senso, não se espante. Sempre tem um pouco mais para decepcionar.

Bem, o primeiro período seguiu e eu não tinha certeza se era aquilo mesmo que eu queria pra vida, pois como disse antes, achava que o curso era diferente. Você vai ver (se ainda for vestibulando) que a alegria de passar em vários vestibulares dura pouco e uma hora seus pais vão começar a achar que você é indeciso. E foi isso que aconteceu. Eu tinha acabado de passar em primeiro lugar na graduação de Fotografia e também em Belas Artes (que era o que eu realmente queria fazer naquele ano). Porém, depois de ter comunicado tantas vezes que eu tinha passado, meus pais não acharam mais graça, sendo assim, eu entendi o recado de que precisava sossegar o facho e cursar uma faculdade até o fim. Nessa brincadeira, História (que foi o curso que eu queria fazer desde os 12 anos) era uma opção mais plausível já que era no turno vespertino, enquanto B.A era noturno. 

Por aí vocês já sabem. O primeiro período foi de extrema adaptação com o novo curso, com a turma com uma faixa etária bem abaixo da anterior (turma de zootecnia), com a grade curricular diferente do que eu tinha imaginado e da própria vontade de ir pra Belas Artes. 

Eu que me achava inteligente, vi que não era tanto. Me achava questionadora e vi que minhas perguntas eram sempre as mesmas, me achava desconstruída e percebi que eu era a maior patricinha vivendo fora da realidade. Algumas coisas, a própria rotina da faculdade já tinha quebrado. Lá não tem pai e mãe pra te livrar de todas as variáveis que venham a acontecer, né? Então, eu meio que já tinha tido algumas experiências que me tiraram da minha zona de conforto. Mas em História que a coisa ficou séria.




Não pense você que eu virei uma super militante que vai para passeatas gritando "vem pra rua", ou que o clima em reuniões de família fica pesado quando eu chego. Não, bem pelo contrário. Aprendi a ser mais humana sim e menos histérica. A me esforçar para ver as coisas pelos dois lados (por mais que eu não saia expressando isso por aí). Aprendi que, as vezes, um militante de uma causa nobre é mais intolerante que um religioso. Bem... aprendi muitas coisas. Aprendi a ser uma Historiadora. Talvez não a melhor, já que eu sempre fui uma aluna 8,5. Mas pelo menos, uma Historiadora honesta consigo mesma.

Perco as contas de quantas vezes eu virei a madrugada estudando e lendo aquela calhambada de textos. Todos diziam que iríamos ler muito, mas nunca se tem dimensão até ter que ler toda matéria do período que vai cair na prova. Na real, meus distúrbios de sono pioraram depois da faculdade. 

Quantas vezes a minha irmã acordou pra trabalhar e eu estava igual um zumbi terminando um trabalho? Quantas vezes eu ia lendo no busão e fazendo comentários no texto para participar na aula? Quantas vezes eu me matei de estudar, de pesquisar, de fazer oficinas para apresentar para uma turma de adolescentes que odiavam História? Várias e várias vezes. 

A questão é que vamos mudando conforme estamos no curso. Aquela paz do início vai sendo trocada por inúmeros afazeres, por professores que não entendem que você também tem outras disciplinas para cursar, por alguns que nem fazem questão de aparecer. Vida universitária é isso: algumas humilhações, muito texto para ler e uma satisfação imensa por ter aquela matéria boa. 

Ah... nada é melhor do que se apaixonar por um tema. Por ver seu professor falando e ter vontade de que não pare nunca, de querer perguntar, mas sentir vergonha dos colegas. Aliás, quantas vezes já não falamos algo só pra mostrar que tínhamos lido o texto e ficamos repetitivas, né Tainara? Mas ganhar aquele pontinho de participação não faz mal pra ninguém.


É um curso muito bom, mas muito difícil. Cansa a mente e cobra demais uma postura de justiça. Não é só técnico, é um curso humano. Ou melhor, que lida com humanos. Ao mesmo tempo, te condensa dentro de uma forma e finge que está tudo certo. Mas não está. A medida que você vai se tornando melhor no ofício do historiador, mas crítico você também vai ficando. E quanto mais crítico, mais peso e menos facilidade de lidar com o mundo real. 

Tudo isso misturado com dias quentíssimos com momentos de risadas, aulas no PAT com ar condicionado, simpósios com temas engraçados, gente que falava várias coisas sem noção. Eu era uma dessas. Vi uma turma desunida se integrando e se desintegrando novamente. Gente que parecia se gostar, mas que depois nem se olhava. Tentei ficar no limbo das relações (nem muito legal, nem muito chata). Não sei se consegui ou falhei miseravelmente. 

Amizades. Nossa! Muitas amizades. Fiz amigos que vou levar para a vida. Pessoas que me fizeram realmente rever o meu estilo de vida. Gente por quem valeu a pena mudar. E eu que pensava de forma tão fechada sobre as coisas, comecei a pensar: "pera, mas fulano vive assim e é uma boa pessoa". E nossa, isso transformou a minha vida. Me fez sair da caixa, valorizar mais pessoas diferentes de mim e de crenças pessoais diferentes. Não só amigos, mas outros colegas de turma, os quais eu nem tenho muito contato, mas que pude admirar partes de sua vida. Coisas que realmente eu falei: nossa, isso é muito legal! 

Tive a oportunidade de viajar, de dar boas oficinas no pibid (minha melhor experiência lecionando), de fazer trabalhos incríveis e conhecer textos incríveis. Li muito, mais do que eu imaginava que leria. Foi bom, muito bom. Fiz apenas 2 visitas guiadas. Foram incríveis e muitíssimo enriquecedoras. Quem dera que mais professores fizessem, pois realmente vale muito a pena. Fui uma boa aluna na graduação. Meu grande defeito foi chegar atrasada em quase todas as aulas. Era difícil conciliar o grupo de extensão que funcionava no horário do almoço + almoço + aula 13h.

Quando chegou a hora de escolher qual tema de monografia seria, decidi escrever sobre a minha maior paixão: Fotografia. Fui estudando e conhecendo mais sobre aquilo que eu já amava. Me entreguei e não tive dificuldade de escrever sobre isso. Também fui muito agraciada por ter uma orientadora maravilhosa a quem só tenho elogios. 



Vivi muito bem meus 4 anos de graduação. Uns períodos melhores que outros. Nunca fui a uma festa por não gostar de tanta farra e nem sentia falta. Me divertia tanto na ABU que nem pensava em outras coisas. Dormi pouquíssimas vezes na faculdade, mas sempre para fazer trabalho. Passávamos a madrugada estudando e era um suplício. Foram 8 períodos bem aproveitados. No fim, já sem nenhuma matéria além da monografia e estágio, me dividi em mil para dar conta da organização do casamento, da construção da casa e da monografia.

Mas tudo valeu a pena quando chamaram meu nome naquele palco para pegar meu "diploma" (esse só ficou pronto 3 meses depois). Dia 07 de abril de 2017 colei grau e estava oficialmente formada. Fizemos um piquenique no Jardim Botânico da Universidade para comemorar. E no dia 07 de julho de 2017, foi a formatura com toda turma. Um momento muito especial e cheio de emoção. Logo depois, fomos para a casa do amigo de turma Marco Antônio para uma janta. Não poderia ter sido melhor. QUE DIAS EMOCIONANTES! 

Terminei a faculdade sem saber se queria realmente lecionar na área, mas toda vez que penso sobre como a faculdade foi boa me apaixono novamente. Aos meus amigos e familiares que me apoiaram, e aos meus mestres, meu muitíssimo obrigada. Essa conquista é de todos nós.

Esse foi o término um ciclo que se iniciou lá em janeiro de 2011 quando eu descobri que tinha passado para a universidade. Não consegui formar em 2016 porque a faculdade entrou em greve, mas em 2017 consegui realizar o meu sonho. Muita gente caminhou comigo para que eu chegasse até aqui. Não fui sozinha, o mérito não é só meu, mas de que todos que participaram para tornar isso possível.


Sou feliz e realizada por ser historiadora, por ter seguido nesse curso que amo mesmo com tantas dúvidas, por ter me descoberto uma profissional competente, por ter me aberto para novos conhecimentos. Que curso, meus amigos! Formei com muita coisa na cabeça e nem sabia se realmente tudo tinha valido a pena. Hoje olho para trás com uma gratidão do tamanho do mundo por ter vivido tudo tão intensamente, por ter estudado tanto, por ter feito a graduação valer a pena. Que saudade e que orgulho de ser Historiadora pela Rural. 




Fotos da Colação de grau + formatura 

07/04 - Colação de Grau





07/07/17 - Cerimônia de Formatura 



Meus grandes amigos da História: Nayana, Marco e Júlia.


MEU TÃO SONHADO DIPLOMA


NÃO PERMITA D'US QUE EU MORRA SEM QUE VOLTE PRA RURAL


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