maio 21, 2010

the best valor

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Sempre procuramos saber quem somos de verdade. Procuramos saber nossa personalidade, caráter e tudo que diga alguma coisa mais de nós. Sempre procuramos jeitos de nos descrevermos e de alguma maneira conseguir mudar, ou pelo menos, amenizar as coisas erradas que vemos em nós mesmos. Não há nada de mal em gostar de se descrever, mas o que devemos perguntar é porque queremos saber tanto sobre nós.
Vou contar a vocês.
Fiquei anos em busca de conhecer algo que se parecesse comigo. Confesso que sou meio complicada, ora alegre e simpática, ora fechada e que expressa muito a opinião. Passei muito tempo buscando entender porque tantas pessoas tinham inúmeros amigos, fotos, coisas fúteis que muitas vezes não são nada daquilo que aparentam. Tentei de todas as formas descrever-me da maneira mais possível que poderia existir. Fui infeliz.
Toda vez um jeito não combinava comigo, não se parecia nada com aquilo que eu queria que fosse. Não era espontâneo, alegre e cativante e nem fazia as pessoas rirem. Olhava em volta e via tantas meninas - amigas minhas mesmo - satisfeitas com seu jeito e tão adequadas a ele. Parecia que haviam nascido um para o outro: o jeito de ser e a menina.
Fiquei me achando um lixo, um monstro. Por que logo eu não consigo me adaptar ao meu jeito, entender o que ele é e por que ele não se parece nada comigo? Gostaria de ter a sorte de Mia Termópolis e ter minha Genóvia, mas isso não acontece. Procurei me conformar.
Com todas as pegadinhas diárias da vida, esqueci por alguns dias esse assunto. E quando ele tentava ressurgir minha cabeça estava muito ocupada para processá-lo. Agora, enfim, entendi que não entendo nada mesmo. Me vejo em uma situação em que realmente não nasci para ser super seguida, não sou o tipo de pessoa que tem 35 amigos mais íntimos, mas sou feliz. Sou engraçada, espontânea e mesmo parecendo uma mosca morta consigo fazer com que muitas pessoas gostem de ficar ao meu lado e faço elas sorrirem comigo. É engraçado, estranho.
Acho que sou basicamente algo todo complicado e cheio de defeitos mais que não nos deixa ficar sem ele. Eu não preciso do jeito de ninguém para ser feliz. Não preciso ter uma personalidade que seja 100% a minha cara (ou melhor, a cara que EU quero me obrigar a ter) para ser completa. Deus me fez tão especial. E muitas vezes. Eu (e muita gente) se deixa esquecer disso para viver a vida alheia: aquela vida que, na verdade, é destruída e confusa. Não nasci para me enquadrar em padrões. Não nasci para ser calma como todo mundo. Não nasci para ter a voz grave como a de todo mundo. Não nasci para ser piadista como todo mundo e ter 400 milhões de fãs adolescentes gritando o meu nome.

Eu nasci para ser única, de uma forma especial, diferente, e uma forma que eu ainda vou entender.

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