
Sempre procuramos saber quem somos de verdade. Procuramos saber nossa
personalidade, caráter e tudo que diga alguma coisa mais de nós. Sempre
procuramos jeitos de nos descrevermos e de alguma maneira conseguir mudar, ou
pelo menos, amenizar as coisas erradas que vemos em nós mesmos. Não há nada de
mal em gostar de se descrever, mas o que devemos perguntar é porque queremos
saber tanto sobre nós.
Vou contar a vocês.
Fiquei anos em busca de conhecer algo que se parecesse comigo. Confesso
que sou meio complicada, ora alegre e simpática, ora fechada e que expressa
muito a opinião. Passei muito tempo buscando entender porque tantas pessoas
tinham inúmeros amigos, fotos, coisas fúteis que muitas vezes não são nada
daquilo que aparentam. Tentei de todas as formas descrever-me da maneira mais
possível que poderia existir. Fui infeliz.
Toda vez um jeito não combinava comigo, não se parecia nada com aquilo
que eu queria que fosse. Não era espontâneo, alegre e cativante e nem fazia as
pessoas rirem. Olhava em volta e via tantas meninas - amigas minhas mesmo -
satisfeitas com seu jeito e tão adequadas a ele. Parecia que haviam nascido um
para o outro: o jeito de ser e a menina.
Fiquei me achando um lixo, um monstro. Por que logo eu não consigo me
adaptar ao meu jeito, entender o que ele é e por que ele não se parece nada
comigo? Gostaria de ter a sorte de Mia Termópolis e ter minha Genóvia, mas isso
não acontece. Procurei me conformar.
Com
todas as pegadinhas diárias da vida, esqueci por alguns dias esse assunto. E
quando ele tentava ressurgir minha cabeça estava muito ocupada para
processá-lo. Agora, enfim, entendi que não entendo nada mesmo. Me vejo em uma
situação em que realmente não nasci para ser super seguida, não sou o tipo de
pessoa que tem 35 amigos mais íntimos, mas sou feliz. Sou engraçada, espontânea
e mesmo parecendo uma mosca morta consigo fazer com que muitas pessoas gostem
de ficar ao meu lado e faço elas sorrirem comigo. É engraçado, estranho.
Acho
que sou basicamente algo todo complicado e cheio de defeitos mais que não nos
deixa ficar sem ele. Eu não preciso do jeito de ninguém para ser feliz. Não
preciso ter uma personalidade que seja 100% a minha cara (ou melhor, a cara que
EU quero me obrigar a ter) para ser completa. Deus me fez tão especial. E
muitas vezes. Eu (e muita gente) se deixa esquecer disso para viver a vida
alheia: aquela vida que, na verdade, é destruída e confusa. Não nasci para me
enquadrar em padrões. Não nasci para ser calma como todo mundo. Não nasci para
ter a voz grave como a de todo mundo. Não nasci para ser piadista como todo
mundo e ter 400 milhões de fãs adolescentes gritando o meu nome.
Eu nasci para ser única, de uma forma especial, diferente, e uma forma
que eu ainda vou entender.



Nenhum comentário:
Postar um comentário
Seu comentário é muito bem vindo! Tenha moderação, educação e respeito :) Beijo