(...) tudo seria diferente. Ao invés de temido, seria visto como um ritual de passagem da meninisse para se tornar um verdadeiro homem: o momento de maior conexão entre este homem e seu bebê. Por isso, o parto seria entendido como um atestado do valor deste homem, a prova de que ele superaria até uma dor muito forte em prol de algo maior. A dor, portanto, não seria temida, mas desejada como um atributo capaz de conceder status. A frase "Fulano ficou 36 horas em trabalho de parto" não viria junto com reações de pavor, mas de admiração. Certamente pensariam que ele foi um homem muito forte.
Se em nosso mundo o parto fosse um evento masculino ele valeria a pena de ser vivido a cada segundo pelo seu agente principal: o parturiente. Ele exigiria um momento a sós com o neném e ninguém teria autoridade para tirá-lo dele salvo em casos de ser necessário salvar a vida de um dos dois. Médicos e toda equipe de saúde seriam secundários e serviriam apenas para facilitar o encontro entre pai e bebê, mas nunca interfeririam a ponto de violentá-los ou de torná-los (fazê-los se sentirem) impotentes. Não haveria culpa sobre os riscos de morrer durante o parto natural, pois se saberia que é a via que menos leva a morte. Haveriam disciplinas e cursos de capacitação sobre partos e um prestígio muito grande não só da equipe médica, mas principalmente do pai e do bebê: as estrelas.Esse homem receberia suporte, auxílio do governo, não seria santificado tal qual um virgem, mas deificado pela força e vigor de seu corpo que foi capaz de gerar e nutrir outro corpo por 9 meses. Seu "sacrifício" o elevaria de tal modo que valeria a pena cada segundo.
O parto masculino seria um evento, um ritual, uma ode a sua masculinidade. Seria um momento de conexão de si mesmo e menos um teatro impessoal como têm sido os femininos, principalmente quando se fala em cesáreas. Não se incentivaria um homem plenamente saudável a passar por uma cirurgia de médio porte como se faz abertamente com mulheres. Não se teria medo de seguir o ritmo do próprio corpo, nunca lhe diriam que ele não iria aguentar, pelo contrário, lhe dariam as ferramentas para se preparar e apenas nas exceções é que as cirurgias seriam realizadas. Antes de tudo, não haveria tanta romantização da gestação pois os pais falariam o quão difícil e desgastante gestar pode ser.
Num parto masculino, o pai poderia escolher a via sem sofrer nenhum tipo de pressão psicológica que duvide da capacidade, sanidade ou amor dele. O serviço seria mais acessível ou o gratuito e teria uma boa qualidade. Não haveria medo de sofrer violência obstétrica, nem mesmo se questionaria a decisão do pai quanto a isso. Intervenções seriam feitas se e quando necessárias, mas o corpo dele nunca seria tratado como propriedade de todos, pronto para ser apalpado, cortado e forçado. Ele seria soberano para decidir sobre o seu próprio corpo.
Mas como o parto é feminino...
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