Aquele que atenua o erro de uma pessoa querida (erro antes considerado imperdoável e imoral) e disso não tira a lição de ser MAIS humilde e menos duro no julgamento aos outros, não se importa realmente com a conduta alheia (se é certa ou errada, prejudicial ou não), mas em como isso pode lhe ser útil para se sentir superior aos outros.
Explico: Apontar o erro de terceiros e tornar isso um cavalo de batalha lhe faz sentir superior (uma espécie de "não somos como eles"), enquanto reconhecer que os seus podem ser tão errados quanto os primeiros (ou piores, a partir do seu crivo) lhe rebaixa, logo é preciso atenuar e apelar para uma humanidade negada aos outros para manter a pose da elevação de alguma forma. Ou seja, enquanto os erros dos outros acontecem porque eles são ruins ou sem caráter, os meus queridos erram porque são humanos passíveis de falhas ou ainda estão aprendendo. Injusto, né? Assim mesmo na lama a pessoa arranja um artifício mental e sai por cima.
O que podemos fazer para reverter isso?
Primeiro precisamos ter humildade para reconhecer nossas fragilidades, não como JUSTIFICATIVA para nossa falta de responsabilidade afetiva ou vitimização, mas para nos entendermos enquanto seres que precisam de constante mudança e elevação.
Quando saímos do pedestal e reconhecemos que somos apenas pessoas normais (não perfeitas e nem algozes) nos colocamos também a aprender e não só a cobrar ou esperar do próximo. Além disso, entendemos que nós e os nossos também precisamos melhorar constantemente. Isso pode nos levar a ter um olhar mais amável e, principalmente, justo com os outros, não tendo valores tão flutuantes que mudam de acordo com QUEM faz isso e aquilo.
Ninguém é tão bom que não deva se corrigir e que não possa melhorar. Seja justo.



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