março 02, 2017

Os bugs do processo

|
No decorrer da faculdade de História, eu e algumas pessoas nos sentimos esgotados, fatigados, esmagados. Era como se não fôssemos mais nós mesmos. Todo nosso senso criativo saíra de nós. Estávamos como viemos ao mundo, nus. Sem ideias e sem criatividade. Aquilo que nos alegrava e dava sentido aos nossos trabalhos se tornou cinza. Viramos, aos poucos, uma fábrica de trabalhos. 

Prazos estipulados. "Vocês são medíocres". Pouco incentivo. "Você não sabe ler". "Sua escrita é ruim". "Você não sabe fazer uma discussão historiográfica boa". Vocês isso, vocês aquilo. Foi quase isso o que escutamos recorrentemente a partir do 3º período. Que não éramos bons o suficiente, que não nos dedicávamos o suficiente, que nosso trabalho era mediano. Impressionantemente, fomos uma das turmas com médias mais altas do curso, de acordo com alguns professores. Mas então, para quê tanta pressão? 

Dizem que os artistas (os melhores no que fazem) produzem algo suficientemente bom a partir de muita pressão. Mas quem foi o bobo que inventou isso? Não devia ser o contrário? Estimular positivamente para colher um bom resultado? A premissa de que só somos bons se formos espremidos como limões, cria fracassados. Pessoas que não conseguem lidar com a pressão e sucumbem. 

Eu, assim como muitos outros colegas de curso, tive depressão. Depressão por pressão. Pressões em casa e pressões na faculdade. E algo que era maravilhoso para mim: fazer o curso que sempre sonhei em fazer, se tornou um pesadelo. Pois além de tudo o que já acontecia na graduação, eu tinha outras coisas na cabeça. Coisas que também me sugavam. O resultado de uma cobrança excessiva foi me fazer acreditar que eu não era boa o suficiente, que eu não dava conta. Não que eu tenha uma grande auto-estima, muito pelo contrário, mas certamente, um ambiente tão pesado e de cobranças não me ajudou. 

E chegou um momento em que eu não via a hora de terminar logo a graduação.  Pois estava cansada, exausta. Além das cobranças, pela hipocrisia presente no ambiente universitário, somado ao fato de estar lá desde 2011 (quando cursava zootecnia). E foi quando no 7º período eu terminei todas as matérias presenciais da faculdade, com muito custo, pois estava no auge de uma crise forte de depressão. No oitavo, me restaram monografia e último estágio. Além disso, estava construindo minha casa e organizando meu casamento (este último, fazendo muitas coisas com a própria mão). Não foi fácil. Mas foi! 

Sentia realmente como se grande parte da minha criatividade não estivesse mais acessível a mim. Apesar de que parte dela, usei na realização dos vídeos do youtube e na organização do meu casamento. O que ainda planejo mostrar neste blog. 

E foi quando eu finalmente vi que isso não era verdade. Quando o peso saiu das minhas costas. Formei e comecei a ver novamente as coisas legais da vida. Só estava passando por um momento absurdo de muita pressão (potencializado pela graduação). Momento esse que agora acabou. 

Voltei a fazer as coisa que gosto, somadas as que não parei (como dança e fotografia) e estou experimentando aquele gostinho maravilhoso de fazer arte sem preocupações. Me descobrindo novamente sem ser uma fábrica de fazer coisas obrigada. 

Talvez amanhã ou depois eu volte para o ambiente acadêmico, mas hoje eu só quero curtir o colorido que eu fiquei sem por tanto tempo. Voltar a ser eu. Sem tanta pressão, sem prazos, sem palavras negativas. Amo a graduação que tenho, mas se pudesse mudar algo, com certeza, mudaria a maneira engessada do ambiente acadêmico. Deixem que sejamos nós mesmos! Aperfeiçoem nossas qualidades! E nos ajudem a corrigir nossos erros. Mas não tirem de nós o que somos: criativos. 

Por outro lado, tive professores maravilhosos que confiavam mais no nosso potencial do que nós mesmos. Infelizmente damos mais valor às palavras negativas do que as positivas. Mas se você vai cursar ainda uma faculdade e tem várias coisas na cabeça além da graduação integral. Saiba que a universidade deveria te proporcionar um boom de ideias, mas como tudo nessa vida, vai tentar minguar isso. Aprenda a técnica, fique realmente bom no que se propôs e depois use tudo isso ao ser favor, com aquela criatividade massa que você tem. Ok? 



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário é muito bem vindo! Tenha moderação, educação e respeito :) Beijo