Infelizmente perdemos a sensibilidade para com os outros. O carinho, o cuidado, a generosidade... Estamos tão apreensivos para "respeitarmos" o outro como igual que estamos perdendo a condição agradável de fazer uma gentileza, nos tornando cada vez mais internalizados e egoístas. Alguma parte disso, por medo de ser mal compreendido a tentar realizar um bom feito.
Ora, se um idoso entra em um ônibus cheio não devia ser a lei que me obrigasse a ceder o lugar, mas a generosidade e o bom senso de saber que sua saúde pode estar mais fragilizada que a minha.
Nossas atitudes não deviam ocorrer pela observação negativa, mas positiva. Exemplo: Se meu esposo vê que a minha bolsa está pesada, não significa que ele me ache incapaz de segurá-la, (muito pelo contrário, quem consegue plantar bananeira com 23 anos consegue carregar uma bolsa) mas que ao fazer isso, deseja me fazer um agrado. Assim como colocar um prato de comida para alguém querido (seja filho, marido, esposa, visita), não significa que essa pessoa seja incapaz ou inútil de colocar ou que você seja seu escravo, mas que você deseja agradá-la com tudo que tem no momento, na sua simplicidade.
Chegamos ao ponto de, em uma reunião de amigos ou familiares, as crianças brincarem sozinhas enquanto os pais ficam alheios e os adultos próximos dizerem que não vão olhar as crianças porque não é responsabilidade deles fazerem isso, mesmo que estejam perto de uma avenida.
Já ouvi pessoas dizerem que não fazem simples gentilezas, pois são iguais e se elas conseguem fazer determinada coisa, os outros também conseguem. Mas o que isso tem a ver? O que a gentileza tem a ver com gênero, idade ou condição social? Estamos ficando cegos. Gentileza não tem a ver com capacidade e sim com bondade, você tentar tornar o dia do outro melhor.
Muitas pessoas não acompanham as outras até o ponto de ônibus, pois na cabeça delas "é bobeira". Não ajudam as pessoas a carregarem as compras, pois "é bobeira". Não puxam a porta para facilitar a passagem, pois ''é bobeira". Aliás, ninguém no Brasil quer ser feito de "otário".
Grande parte das crianças não sabem fazer uma gentileza. Os coitados acham que isso é sinal de fraqueza. Mas não é. Fraco é quem não percebe que precisa do outro, quem não estende a mão para ajudar e para receber ajuda. Estamos nesse mundo para melhorarmos, para nos ajudarmos.
Que me perdoem todas as pessoas que se sentem ofendidas ao receber um bom dia ou ao ouvirem um "quer ajuda pra carregar?". Eu particularmente, sinto que a pessoa se importa comigo, mesmo que não me conheça.
Não tenha medo de fazer uma gentileza. Se a pessoa não responder ou se sentir ofendida, quem perdeu foi ela e não você.
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