VENDE-SE IDEIAS
Uma das grandes benção dos criativos - nos quais eu humildemente me incluo- é a explosão de ideias a que somos submetidos a maior parte do dia. Ideias, ideias, ideias... Tantas ideias. O dia segue normal e do nada, PÁH, vem uma ou mais ideias e ficam matutando na nossa cabeça. Geralmente, elas dão o ar de sua graça no meio da madrugada.
A minha cabeça funciona muito rápido. Não que eu consiga realizar pensamentos lógicos com rapidez, nem contas, hehehe. Mas no sentido de que eu tenho muitos pensamentos (quase) ao mesmo tempo. O que é maravilhoso, pela quantidade de coisas legais que eu penso, mas acaba gerando uma certa dificuldade de concentração. É muito fácil, por exemplo, para mim, estar em um assunto e mudar aleatoriamente para outro, ou começar uma atividade e no meio dela, começar (ou pensar) em outra coisa que eu gostaria de fazer.
Por um lado, isso é lindo. Eu gosto muito de artes, então meus pensamentos tendem a isso. Pintura, desenho, artesanato, costura, dança, música, literatura, enfim... Uma explosão artística. Mas a dificuldade disso é que eu quero fazer tudo praticamente ao mesmo tempo, pois os surtos criativos são muito próximos, não dando tempo suficiente para conseguir realizar todas essas atividades, pois eu também tenho vida. Uma coisa negativa é que eu raramente consigo me aprofundar tecnicamente em algo. Pois assim que consigo um resultado satisfatório (ao meu ver) em uma atividade, já quero experimentar outra coisa legal para fazer. E isso pode ser meio frustrante, pois é necessário muito esforço e tempo dedicado para ficar realmente bom em algo.
Um exemplo clássico é que eu tenho muitas ideias para post no blog e youtube, mas raramente eu consigo realizar o que desejo por me atarefar com outras ideias que me vem à cabeça. Sendo assim, acredito que eu nunca vá ser uma youtuber ou blogueira de influência já que eu não tenho a mínima responsabilidade para lidar com isso de forma regrada. O que tenho feito para me organizar é escrever minhas ideias no Sketchbook a fim de conseguir realizar as coisas que desejo e não esquecer delas. Não só coisas relacionadas a arte, mas também a tarefas diárias, trabalhos etc.
Mas voltando ao assunto de ideias. Eu sempre fui assim. Desde criança eu queria fazer tudo relacionado a artes (mesmo que eu não pensasse cognitivamente dessa forma). Considerava tudo legal. Escrevia poesias (até participei de campeonatos escolares), escrevi um livreto, aliás eu sempre gostei muito de ler. Era como se eu entrasse dentro da história. E isso me fez treinar muito minha escrita em um teclado solto que tínhamos em casa (não tinha o pc, só o teclado, rs). Eu passava horas do dia escrevendo minhas histórias imaginárias e sonhando que um dia, seria uma grande escritora. Isso tudo, até completar uns 15 anos. Depois, passei a escrever -com menos frequência, claro- no computador, sonhando em ter um nootebook para escrever livremente sem interrrupções. Aí ganhei um notebook e envelheci. Passei a ter afazeres que não me davam tanto tempo para escrever tanto quanto eu gostaria e entrei mais ativamente nas redes sociais (caos). Mas enfim, escrevi muito nessa vida. Em 2013, reuni 11 contos meus e fiz um livreto para dar de presente para minha mãe e irmã e ,na época, meu namorado (que agora é marido). Ainda sonho com a oportunidade de publicar meus contos e escrever mais coisas.
Sempre gostei de desenhar (apesar de não ter muito talento) e pintar com giz de cera e lápis de cor. Há poucos anos (2013) resolvi que queria pintar com tinta. Então cursei 1 semestre de aulas de COR 1 na universidade. Era uma disciplina (do curso de Belas Artes) muito legal onde pintávamos com tinta a óleo. Confesso que não considerei o professor muito bom, pois ele não deva o suporte e explicações que eu precisava, pois não conhecia nada de pintura. Mas aos trancos e barrancos, consegui. Agora, quatro anos depois, voltei a pintar com guache e estou gostando muito da sensação de pintar novamente.
A sensação de estar em contato com algo legal novamente sem tcc, preparativos do casamento, ou construção de casa, foi maravilhosa. Ano passado, não parei de dançar (graças ao meu bom D'us) e tive uma oportunidade maravilhosa de dar aula de DANÇA CRIATIVA. Foi lindo, foi maravilhoso. Me deixou, em meio de tanta coisa, exercitar a criatividade. E isso foi fantástico para mim. Fotografar por prazer, quase não aconteceu. Trabalhei como trabalho há um tempo, mas não por prazer. Então não tive uma melhora grande, pois não me dediquei a isso.
Para mim, a arte não é uma entidade. Não está acima das coisas e não é algo fenomenal, assim como tratam a cultura atualmente. Mas é algo bom produzido por nós e que depende de nós para existir. Sendo assim, a arte em si mesma, na minha simples opinião, não existe. Sendo assim, não é algo tão elevado, mas é uma coisa que dá prazer e que estimula nossa criatividade etc.
O fato de eu pensar muito: tanto em matéria de reflexão quanto de produção. Me dá uma possibilidade maneira de criar, ou de ter a sensação que posso "criar". Por outro lado, reflito sobre os grandes problemas do mundo e como tudo acaba sendo vaidade. Nessa "transcendência" causada pelo pensamento demasiado, há também a melancolia que atinge muitos criativos. Por pensar demais, esquecem-se de parar de pensar um pouco e viver.
As vezes vejo pessoas e fico imaginando as coisas legais que elas poderiam produzir com os talentos que têm. Como isso não é da minha conta, fico quieta e não falo nada. Mas poderia ser uma "personal idea", se é que isso existe, hahaha. Penso em como as pessoas podiam melhorar, crescer, investir. Poderia pensar isso pra mim também, mas já é um outro assunto...
Ser uma "fábrica" de ideias têm muitas vantagens. Como sempre pensar em coisas bacanas o tempo todo. Por outro lado, têm as coisas ruins. Como ficar frustrado por não conseguir executar todas as ideias por falta de tempo hábil ou disposição. Vou tentando me alinhar para ficar o mais normal possível. Sem me cobrar para ser uma máquina, mas aproveitando os talentos que me foram confiados.





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