Há alguns anos, um pouco mais de uma década, eu me perguntava se teria orgulho de minha passagem pela vida ao chegar no futuro. Como um vento rompante e desavisado, o futuro chegou e posso dizer que sim, nós nos orgulhamos. Eu daquele tempo, eu do meio do caminho e eu de agora. Sim, nós nos orgulhamos do passado.
Fui fiel e brutalmente leal aos meus valores na maior parte do tempo. Sorri, chorei, falei demais, vivi. Venci medos para recomeçar. Sustentei meus ideais por mais difíceis que fossem. Senti vergonha, senti orgulho, tive altas crises existenciais, mas também as rompi para realizar aquilo que desejava. Paguei a língua diversas vezes e isso me fez ter mais humildade e ser mais branda em meus julgamentos. Me perdi, me achei. Dentro de minhas limitações consegui viver do meu jeitinho absolutamente comum.
Hoje não sei quem sou, estou perdida dentro do meu próprio caos, mas fico feliz cada vez que volto a esse blog e tenho contato com parte de mim do passado: aquela que queria registrar tudo para o futuro; Aquela que não queria esquecer, que sabia que em algum momento podia duvidar de quem é e teria que encontrar novamente seu prumo; aquela que não tinha medo de desejar uma vida melhor, com conquistas e paz. Aqui estou me reconectando com minha máquina do tempo, construída com minhas palavras e sentimentos, sabendo que no futuro vou olhar para trás e lembrar de como, neste tempo difícil, me reconstruí bem como fiz no passado.



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