Eu vi tantas pessoas talentosas andando ao meu lado, pessoas nas quais eu me inspirava, que eu queria ser. Com uma sensibilidade tão sutil que fazia questionar se eu era realmente criativa. Vi tanta gente com sonhos, planos e esperança de que iam mudar o mundo de alguma forma.
Futuros escritores, cronistas, artistas, pesquisadores. Jovens realmente dedicados ao que gostavam e que provavelmente seriam bons profissionais. Com uma garra interna, aquela inocência dos recém-formados no colégio. Acreditavam que sim, conseguiriam. Dava gosto de vê-los conversar, de estar por perto, observá-los com seus livros cheios de post-it e anotações. Como era possível fazer tanto sendo tão novos?
Curiosamente, eram vários talentos diferentes. Gostos e interesses próprios.
Eu realmente não sabia aonde isso ia dar, mas passei os três períodos da faculdade de História me deliciando secretamente ao ver o talento dos meus colegas.
Mas como previsto por alguns, com o tempo isso foi minguando, diminuindo. Aquele tanto de gente talentosa foi descolorindo e sendo desmotivados pela carga horária (e emocional) que a academia trás. Sugados por um sistema que não necessariamente queria extinguir sua pessoalidade, mas que os formatou. Todos fomos formatados pelas exigências da academia, pela demanda de leitura, pela cobrança dos mestres.
E a tal formatação a qual todos fomos submetidos, ABNTzados, só queria nos tornar profissionais capazes, melhores, conscientes do que realmente fazer. Não foi por mal. Mas esquecemos que os padrões limitam nossas características e pessoalidade. E não nos perguntaram se queríamos isso.
E quanto mais nos tornamos críticos e bons profissionais, quanto mais apurado se tornou nosso olhar para as fontes e também para o mundo, quanto maior se tornou nosso critério para o que é bom, mais pesado se tornou o nosso mundo e a nossa vida. Não foi por mal. Mas o senso de justiça aumentou demais, aumentando também a dificuldade de viver num mundo tão injusto.
Talvez por isso a maioria de nós perdeu um pouco da alegria inicial. Como compactuar com isso? Como perder tempo com algumas alegrias enquanto outros sofrem ou enquanto nós mesmos sofríamos com o tanto de cobrança que recebíamos?
Difícil entender realmente o que aconteceu. Mas vi muita gente radiante se tornando mais cinza, mais sério. Perdendo o fervor inicial para entrar na formatação. Não foi por mal, mas foi assim. E agora, seguimos capengas pelo mundo que talvez antes conseguiríamos de alguma forma mudar e agora só conseguimos olhar, criticar e lamentar. Sem aquela força para lutar.



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