Meu prazer está no controle
Planejar o intocável satisfaz a sensação de senhor da vida.
Caminho sob meu próprio destino
Traçado por lágrimas angustiadas
Levanto-me e vejo sol
num dia de provável tempestade.
Na bolsa: sombrinha e capa.
Nada de frio, nada de pingos,
Suor escorrido, mormaço escaldante.
Eis que tudo segue um tino. Não o meu, o de outrem.
E o mundo segue girando.
E não tenho forças para parar.
De repente, eu mesmo sou levado a girar na ciranda eterna.
Na visão turva e no pisar em falso
Sinto-me nu diante de quem está a olhar.
É o tempo? É a vida?
Tudo conspira para me infantilizar.
Sigo os dias. Olho para cima
Pra quem vou me render?
Se até o dinheiro que me mantinha procurou desaparecer?
Confio em mim, erro.
Na minha força, vacilo.
Despedi-me de mim na esquina
Mirei em frente e segui.
Enquanto todo universo escarnece... ri
Daquele que sem condições tenta a tudo controlar, medir.
Larguei em uma mala o controle
Jogada na estrada pegando poeira
Ele não me pertencia, assim não pude queimar
A vida mandou que o deixasse pronto para que outro
Desconfiado o pudesse pegar.
E um fardo pesado caiu de minhas costas.
Ufa! Cambaleei.
Sem costume com a leveza, titubeei.
Olhei para tras e vi o pote com lágrimas ao lado da mala
Para frente, uma placa com um desenho de nuvem a sorrir
Que tal ser levado pelo vento?
E o SER me definir?
Rumo a uma vida que independe das conquistas
e daquilo que possuir.




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