Nos vemos como grandes protagonistas de nossa vida, criamos um roteiro bem grande, vilões e coadjuvantes que vivem em prol de nossa realidade. Como nos filmes onde todos os personagens são significativamente afetados pelas decisões dos 'mocinhos', que na maioria das vezes não tem muita consideração com os outros.
Mas e quanto aos outros? E quanto às necessidades que eles tem e que são incomuns com as nossas?
É muito fácil dar um grito de "luta pela felicidade" quando se condiciona todas as outras pessoas à tristeza. Queremos que todos entendam nossos sentimentos, medos e desejos porém não paramos nem um segundo para agir dessa forma em relação a eles. Será que as outras pessoas não tem sentimentos? Será que elas não desejam tanta 'liberdade/felicidade' como nós? E o que elas querem?
Essa vida hollywoodiana não nos permite ser sensível com a pessoa que está ao nosso lado, porque internamente achamos que a vida dela gira em torno da nossa, como num filme. É uma conclusão dura, mas importante para nos desprendermos de nossos egoísmos. A vida não é um filme e a realidade requer de nós um pouco mais de humanidade em relação a um todo.
Desejo não ser protagonista da vida porque acredito que ela não é só minha. Eu faço parte de um todo e minhas ações afetam direta e indiretamente a vida de algumas pessoas. Isso não significa que por esse motivo devamos abrir mão das coisas que nos alegram, pelo contrário. Implica que mesmo com minha singularidade me abro para constituir um mundo plural, onde a minha felicidade não pode e não deve passar por cima de outra pessoa.
O que é proposto a partir desse texto é que paremos para pensar no outro não como um mantenedor de nossas vontades ou frustrador de nossos sonhos, e sim como uma pessoa que também pensa e sente. Parece clichê mas em sua maioria não nos importamos com a bagagens dos outros quando nossos motivos estão em cheque.
Que nos observemos, mesmo que por alguns segundos, como parte de um todo, de um planeta com outras seis bilhões de pessoas. E se em algum momento todos partíssemos em busca de nossa felicidade individual e nos esquecêssemos dos outros? E se todos os maridos largassem suas esposas porque estão apaixonados por outras mulheres? E se todas as pessoas desejassem ser líderes de seus países? No mínimo, experimentaríamos o caos.



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