Vi um anúncio em uma das páginas da Rural sobre uma viagem à São Paulo no fim de semana em que ocorreria a Virada Cultural, a saber, dias 18 e 19 de maio, para visitar algumas exposições em museus. Prontamente dei meu nome e dados para inscrição. Sabia que uma oportunidade dessa não se tem todo dia.
Bem, desde 2010 tenho um sonho secreto de ir à São Paulo para visitar os museus de lá. E sim, só isso, sem mais nada no currículo. Andar pelas ruas de sampa apreciando a cidade. Conhecer tudo com meus próprios olhos. Então essa era a oportunidade perfeita.
sexta:
A viagem foi calma, como sempre fiz amizade com todo mundo a minha volta no ônibus. Trocamos comida até dizer chega e dormi. Dormi, acordei, dormi até gravar praticamente todo o caminho de Seropédica até a Estação da Luz em SP. Peguei o metrô e fui rumo à Av. Paulista para a casa de uma ABUense que aceitou me hospedar em sua casa sem nunca ter me visto na vida.
sábado:
A sensação de pegar o metrô numa cidade nova, até então desconhecida e ir aos poucos conhecendo cada cantinho que passa com mochilas nas costas e muita disposição é um tanto inusitada. Pavorosa mas sem um pingo de medo. Desci do metrô e sentei nos banquinhos, peguei meu mapa e meu celular e comecei a fazer ligações. Quando consegui ligar pra Jéssica foi uma alegria, finalmente não ficaria perdida na rua. No caminho até a casa dela aconteceu é coisa. Pedi informação pra um bêbado, ele quis me guiar e fez um escândalo no meio da rua porque estava ouvindo vozes. Corri feito doida e me joguei dentro de um táxi, graças ao conselho de uma boa senhorinha. E rapidamente cheguei, à rua tão esperada. Mas apesar disso parecer assustador, não foi nem um pouco, pelo contrário foi cômico e todos estavam rindo de mim.
Conheci Jéssica e Lucas, casal tão amoroso que me hospedaram e rapidamente viramos amigos. Gente boa, daquela que cativa, sabe? E logo partimos pro nosso destino. Perto do Metrô das Clínicas tem uma feirinha de antiguidades FANTÁSTICA onde vende tudo 'baratinho'. Adoro antiguidades e quando a Jeh e o Luh me levaram lá quase infartei. Primeiro porque pra minha surpresa os ônibus de SP são totalmente diferentes dos do RJ- e eu achei isso incrível porque realmente vale a pena pagar 3 reais para andar no transporte público (bem, pelo menos, onde eu andei). E por onde nós passávamos várias histórias nossas de ABU eram contadas e eles iam explicando um pouco da cidade para mim. Segundo, porque eles foram almoçar então eu tive a minha visão sobre a feirinha, o meu tato.
Por trás da lente da minha Nikon fui registrando tudo que achava importante, tudo o que eu achava lindo. Fiz questão de trazer pequenas lembrancinhas para as 4 pessoas que mais amo (já que o dinheiro era curto as pessoas foram selecionadas). Aliás, tomar nota: SP é uma cidade cara, rs. Discos de vinil, cds (pois é, cds são antiguidades), jogos de jantar de prata, telefones e câmeras de todos os tipos e tempos. Resultado: Virei criança. Poucas vezes fiquei tão animada, andei por toda a feira e parecia que a alegria nunca ia ter fim. Muitas fotos registraram minhas poucas horas de apreciação.
Novamente estação da Luz, Pinacoteca, Museu da Língua Portuguesa = Virada Cultural. A Pinacoteca é linda. Brutalmente linda. Lembra muito o Parque das Ruínas no RJ por conta dos tijolos que a formam. Dentro dela me senti em casa por muitas pinturas a óleo, que aliás deixaram arrepiada. Aumentaram minha visão sobre todo o toque na tela, foi uma sensação única, e sinto-a toda vez que vejo a textura da tinta. É algo muito íntimo, particular, não sei explicar bem. Só sei que me sinto em paz ao ver todo traçado e imaginar quanto tempo e todo sentimento que o artista depositou naquele pequeno espaço para que aquela obra ficasse pronta. Bem, é isso que uma tela de 350 anos causa em uma pseudo-pintora.
Saí de lá radiante e fui em frente direito pro Museu da Língua Portuguesa. Por causa da Virada Cultural todos os museus estavam gratuitos e isso foi um adianto e tanto. Não entendo, mas esse ambiente me deixa muito feliz, como disse acima em casa. Vi muitos escritos antigos, inclusive o primeiro jornal do Brasil. A criação de muitas palavras que passava numa tela grande no térreo e num filme no cinema dentro do museu. A tela do cinema era rotativa e ao acabar o curta ela dava passagem para um pátio. Entramos e ficamos sentados em pequenas arquibancadas de concreto olhando para o teto onde passava uma pequena animação de mais ou menos 10 minutos e depois essa animação ia para o chão e como num jogo de xadrez ficava mudando. Foi interessante,valeu muito a pena.
Quanto tudo acabou voltei a minha saga metrô pois recebi uma mensagem da Jéssica me convidando para ver balé com eles. Já que o pessoal da Rural queria ficar nos shows da Virada sem rumo certo eu segui o meu. Na correria, adrenalina, uma turista em São Paulo. Cheguei a tempo, fui pro banho, e daí conversas a fora pela rua. Paramos numa pequena lanchonete e em clima de conversas e risadas comemos uma fatia de pizza e rumo ao metrô.
Rua lotada, policiamento redobrado, uma esteira rolante enorme do metrô que nos leva de um lado para o outro. Passamos em frente ao Teatro Municipal de São Paulo -que é bem parecido com o do RJ-, a rua estava cheia demais, shows em cada esquina. E na Praça das Artes no Vale do Anhangabaú assistimos um dos espetáculos mais bonitos que eu já vi: " As canções que você dançou pra mim" da Focus Cia de Dança. Uma companhia de dança contemporânea que fez uma jovem de 19 anos apaixonada pelas canções de Roberto Carlos sentir o coração pulsar em cada movimento. Arrancou-me sorrisos sinceros e era como se uma chama ardente estivesse acesa dentro do meu peito. Reacendeu meu amor à dança, com menos de 2 horas de espetáculo. Quando terminou,já nem no meu corpo mais estava. Estava por SP vagando, flutuando. Até que a realidade me chamou de volta à terra e de lá seguimos rumo ao cinema.
Nunca tinha ido ao cinema de madrugada. Com a sessão começando às 24 horas me senti super radical. Queria que minha mãe tivesse me visto com certeza ela riria de mim, com certeza ela ia dizer como eu sou boba. Ainda sim, estava radiante, me sentindo super adulta. Nossa, eu não ando por aí de madrugada e estava no cinema. Vimos o Homem de Ferro 3. Mudando toda minha opinião sobre esse filme, achei fantástico toda a história do terceiro e como ela se desenrolou. Pra mim, que não entendo nada de HQ e de cinema ele está ótimo, rs. Saindo do cinema - que era na AV. Paulista- encontramos vários jovens fazendo um flash mob, nunca tinha visto algo tão legal ao vivo e seguindo, encontramos mais jovens com skates, violão e voz louvando a Deus no meio da madrugada. Chegamos em casa às 3h da manhã, depois de um longo dia tudo o que precisava era um banho e um bom descanso. E fui tudo que tive num cama de 'viúva' - a saber, maior que a de solteiro e menor que a de casal- naquela noite.
"Uma jovem realizada", era a única coisa que conseguia pensar. Entre os e-mails e recados que mandei pra minha família e namorado falava da saudade que sentia, que de fato era muita, mas nos momentos a sós pensava em como eu era sortuda por estar ali venho meu sonho se concretizar na minha frente. Com ajuda de pessoas tão bondosas e tementes a Deus tudo se tornou realidade, estava pronta para meu segundo e último dia numa das maiores cidades do mundo.
domingo:
Acordar numa cama super confortável, num apartamento todo branquinho super aconchegante de dois jornalistas com um café da manhã quentinho e fresquinho é um dos motivos pelos quais eu continuo mimada. Brincadeira. Mas isso era tudo que eu precisava. Corri rapidamente, tomei um banho quentinho no chuveiro a gás, mandei mais mensagens pra minha mãe as quais ela não viu. Conversamos mais um bocado e segui rumo ao Senai e ao MASP.
Novamente, na minha saga de sentir o ar 'puro ' de São Paulo, andei aproximadamente 10 minutos e já estava na Paulista de frente para o SENAI. Lá, vi uma exposição ma-ra-vi-lho-sa sobre as olimpíadas e para falar a verdade, fiquei encantada com tudo que aprendi. Todas as tochas olímpicas e medalhas estavam expostas, mascotes, acessórios e um pouco da história de cada olimpíada. Fiquei pensando em como seria se eu fosse atleta ou se eu fosse uma das pessoas que abrem a olimpíada na cerimônia oficial dançando, mas foi só um pequeno desvaneio. Não fiquei muito tempo, talvez 1 ou 2 horas, mas aproveitei bastante.
Parti de lá em direção ao MASP, no caminho tirei diversas fotos e mesmo que na correria observei um pouco dos paulistanos, da maneiro como se portam. Ao chegar no meu destino encontrei outra feira de antiguidades com outras coisas expostas e do outro lado da rua uma feirinha de artesanato com direito à música ao vivo dentro do parque. Passei meus últimos minutos em sampa observando as pessoas, pensando em como eu era abençoada de estar ali e agradecendo a Deus pelas oportunidades e pelas pessoas maravilhosas que eu havia conhecido, tanto as que me acolheram como as que me deram informação, as que riram de mim pelo meu 'sotaque' e as que foram gentis comigo quando eu fiz um elogio às suas peças expostas nas feirinhas.
Às 13:30h estava me despedindo de São Paulo, eu e Jéssica almoçamos num shopping pequeno e comecei a sentir que estava indo embora. Metade do meu corpo queria vir e outra não. Era como se todo o meu ser aventureiro estivesse pedindo mais aventura e meu ser afetuoso quisesse a família. Pegamos minha bagagem, comprei um livro de artes de Rembrandt por 5 reais (sim 5, na outra banca ele estava 20) - 75% de desconto. E pela última vez peguei o metrô em direção à estação da Luz. Fomos conversando até lá, conversamos e esperamos meu ônibus chegar e com um abraço longo nos despedimos.
A experiência de ir para outra cidade- mesmo que bem próxima- sozinha foi mais que relevante para mim. Foi revigorante. Nunca me senti tão competente, tão livre e tão capaz de fazer algo. A primeira vez na vida que vivi minha própria experiência, que arquei com meus atos. Que senti a minha saudade, pelas minhas escolhas. Fui livre, vivi! Uma adulta finalmente, até arquei com toda minha despesa. Foi tão bom ir e ver que eu precisava voltar. Sair e ver que não dá pra ficar longe dessa gente chata que me ama e que eu amo demais. Vivi meu sonho, andei por uma cidade grande e conheci sua arte, seus museus, fiz amizades e soube o tempo de voltar pra casa. Não dá pra explicar tudo o que ficou quando peguei aquele ônibus, olhando pela janela estava deixando pra trás o fim de semana da Virada Cultural 2013 lá. Mas as memórias dos meus risos, do meu modelito de calça jeans, blusa de manga bufante e Sneeker, minha touca e minha nikon. Meus pedidos de informação, as conversas, os ônibus, metrôs. As ruas, o trânsito, tudo o que é São Paulo e tudo que representou num pequeno fim de semana vão ficar guardados na minha mente. Até que um dia eu esqueça disso tudo e só me lembre da primeira vez que se senti adulta.
Depois de 7 horas de viagem, chegamos a Seropédica. Ao descer do ônibus algo com que sempre sonhei também aconteceu. Sempre fui aventureira, quando menina, sonhava em viajar e ter alguém amado me esperando no terminal rodoviário, no aeroporto ou em qualquer lugar. E quando desci do ônibus de viagem da rural meu amado estava lá, no carro, junto com minha futura sogra, ambos me esperando, ele sério mas com os olhos sorrindo. Aqueles olhos que me fazem sorrir por dentro também. Me esperando com amor.
Então, no final, tive 2 desejos realizados em apenas 2 dias e não tenho como explicar a sensação de tê-los vivido. Cheguei em casa a recebi o abraço mais apertado e amável do mundo, minha mãe entrando em cena novamente. Sabia que tinha voltado pro meu lugar, pro meu lar, que é onde me cercam de amor. Minha irmã veio falar, meu cachorro fez festinha e meu pai ligou do trabalho. Enfim, voltei, com o coração cá e lá, voltei e pra ficar.
SENSACIONAL.



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