abril 03, 2024

Carta do adeus

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Quando, em 2013, iniciei a graduação em História, no dia 10/06 (um dia após o meu aniversário de 20 anos), não imaginava que sairia tão engrandecida. Marco Antônio foi um amigo querido que me acolheu (e a toda turma) desde o início. Ele, que foi jornalista por toda vida, havia se aposentado recentemente e, aos 65 anos, ingressou no curso de História na federal rural. Éramos uma turma muito jovem e muito imatura, tínhamos energia que não acabava e opinião para tudo. Marco, mesmo com toda sua experiência, dizia que era um prazer estudar conosco, era generoso em nos entender e nos dava bons conselhos. 

Ele se fez nosso amigo, mediou conflitos, nos apresentou à sua família. Fazia questão de marcar os encontros anuais em sua casa e prestigiar nossas conquistas. "Eu estava lá" era uma das frases que ouvíamos quando ele contava sobre uma cobertura jornalística que tinha feito, lendo o seu livro "Nariz de Cera" que falava de suas experiências na carreira ou quando mostrava fotos todo animado de suas aventuras no Jalapão. Ouvíamos as histórias dos netinhos sob o olhar de um avô apaixonado, um pai e um marido amoroso.

Sua família, aliás, muito carinhosa, sempre ria ao lembrar que achava que ele ia desistir do curso no início pela diferença de idade e visão de mundo, mas não. Se formou com louvor em 2017, com um grupo sólido de amigos e muita história. Com uma flexibilidade incrível transitava entre nós sempre nos colocando pra cima. Sempre carinhoso, paciente e amigo, ele irradiava luz.
Ano passado, ele saiu de longe para prestigiar minha apresentação em nossa querida Rural e tinha certeza de que eu passaria no doutorado. Não achava que seria a última vez que o veria 😔.

Existem pessoas que marcam a nossa vida de graça. O Marco foi uma delas e de quem eu nunca queria me despedir. Um amigo tão querido, tão leal, carinhoso, que se tornou família e de quem vou me lembrar pra sempre com amor e saudades. Ele foi o elo da nossa turma e por ele, hoje, nos reunimos mais uma vez - de Vasco- para uma última homenagem e despedida.

Obrigada por acreditar em mim mais do que eu mesma e me incentivar a ser melhor.  Obrigada por seu meu amigo incondicionalmente e me permitir fazer parte da sua família. Obrigada por nunca nos julgar e nos ajudar a olhar as coisas de outra maneira. Obrigada por amar o meu filho e sempre perguntar dele com tanto carinho. Eu queria te ver muito velhinho e cheio de saúde. Não estava pronta para dizer adeus, mas sei que você precisava muito descansar. 

Ao nosso grande vascaíno, com amor! Sentirei sua falta! ❤️












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