janeiro 29, 2018

Estudo Shemot 14- O poder do desejo e das palavras

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Palavras realmente tem poder. Não sentimos a dimensão disso no mundo físico por pura falta de atenção, mas muitas coisas as quais desejamos e falamos, podem nos acontecer algum dia. Com isso, não digo que é uma coisa verídica, mas que o universo (ou D’us) chame como quiser, sempre nos traz um pouco daquilo que falamos sem pensar.

É interessante pensar no caso ocorrido em Shemot 14.11-12 (êxodo). O povo tinha acabado de ser libertado das terras do Egito e estavam no deserto. O texto diz que D’us endureceu o coração do Faraó que voltou a os perseguir. Vendo essa situação, o povo disse a Moisés: “ Foi porque não havia sepulcros no Egito que nos tomaste para morrer no deserto? Que nos fizeste ao tirar-nos do Egito? Acaso não foi isso que falamos no Egito, dizendo: Deixa-nos, e serviremos aos egípcios? Pois é melhor para nós servir aos egípcios do que morrer no deserto! ”

Pouco tempo depois, ainda na Torá, será relatado que os homens do povo, baseados nos ideais religiosos egípcios, fizeram um bezerro de ouro para adorar ao Eterno, enquanto Moisés estava no monte recebendo a Torá. Adiante ocorrerão outros eventos que deixarão essa geração que atravessou o Mar Vermelho morrer justamente no deserto.

Não importa caro leitor, se você acredita ou não na bíblia. Importa que é um livro cheio de sabedoria e ensinos, alegóricos ou não. Vemos aqui uma relação entre os fatos citados. Mas é interessante pensar que o povo não queria ter morrido no deserto, esse não era o desejo deles, pelo contrário. O que eles queriam era ter uma vida livre de perseguições. E, após serem perseguidos pelos egícios, movidos pelo medo, é que dizem preferir a antiga vida de opressão a ter que que morrer ali, desamparados.

O ponto crucial disso, em minha opinião, é que obviamente eles ainda eram extremamente apegados a vida anterior (que aliás, não era uma vida boa, apesar de estarem acostumados). E o episódio do bezerro de ouro mostra justamente isso. Que os referenciais do povo hebreu, vinham de quem os oprimiu por 400 anos. Tanto que eles preferiam voltar a condição anterior do que morrerem livres.

A primeira oportunidade de mostrarem sua espiritualidade sem seu líder foi baseada nos ritos religiosos egípcios de ter um D’us imagético. Voltando então a condição de “Deixa-nos e serviremos aos egípcios”. Neste momento, Moisés havia os deixado para ir ao Monte receber a outorga da Torá. Ficara mais de um mês recluso e o povo não sabia se ele estava vivo ou morto. Pensaram que estavam fazendo certo ao construírem a imagem.

Nesses três meses desde a saída do Egito até a outorga da Torá, os homens do povo não conseguiram minimamente deixar para trás o desejo de voltar a servir ao Egito, ou servir como no Egito. Sendo assim, pelo que parece, o desejo deles era continuar a vida que tinham fora dos limites territoriais da opressão. E servir ao D’us de Israel da maneira como eles sabiam e tinham conhecido a vida inteira, cheios de assimilação.
O desejo de servir ao Egito (ou como no Egito) acabou tomando forma, pois era realmente difícil abandonar tudo e seguir em frente. Mas infelizmente – para eles-, esse serviço não foi aceito pelo Eterno e aquela geração que tinha medo de seguir em frente acabou perecendo realmente no deserto.

Essa história mostra que muitas vezes aquilo que desejamos tem força em nosso mundo físico, capaz de criar diversas situações. Obviamente que não é desejo que cria situações, mas a forma como lidamos com esse desejo é que vai gera-las e trazer consequências boas ou ruins para nossas vidas.

Esses hebreus estavam em uma condição difícil, mas eram fruto de um grande milagre. O medo e a dificuldade de realmente seguir em frente os fez passar por um tanto de situações até que aprendessem a lidar com a vida sem estarem agarrados a um passado de dor. Nós também temos essa dificuldade de romper com aquilo que nos fez mal e seguir adiante. Várias vezes, o desejo de voltar a condição anterior, gera atitudes em nós que nos mantém cativos mesmo em condições de vida diferentes.

É importante pensarmos que temos a possibilidade de olhar e seguir em frente, como Moisés falou ao povo (Shemot 14. 13-14): “Não temais! Ficai e vede a salvação que o Eterno vos fará hoje; porque os egípcios que vedes hoje não voltareis a vê-los nunca mais! O Eterno lutará por vós, e vós fiquei calados! ” . Ou seja, não tenham medo. Fiquem a onde estão (não voltem para a condição anterior, não fujam) e vejam que o Eterno os salvará ainda hoje (todo dia o Eterno nos salva das situações); porque a situação que os oprimia (os egípcios), vocês nunca mais a verão (se quiserem!). D’us lutará por vocês e vocês fiquem calados (não falem essas coisas para não se prejudicarem).


A seguir, o próprio D’us fala a Moisés: “Por que clamas a Mim? Diga aos filhos de Israel que marchem! ”. Em outras palavras, “por que vocês estão só orando? Ajam!” . E é isso que podemos levar para as nossas vidas, nossas palavras tem o poder de nos afundar e de nos manter no mesmo lugar para sempre, trazendo situações do passado para nos atormentar e decidir o nosso futuro. Fiquemos quietos e ajamos. E não nos deixemos sucumbir pelo medo. 

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