Sempre fiz estudos bíblicos em meu blog. Hoje, tenho uma visão diferente acerca dos textos do que tinha antes, por conta da minha fé. Tentarei ser clara em tudo que falar. Mas caso alguém tenha alguma dúvida pode deixar um comentário a respeito. Posto, principalmente, para deixar arquivado para mim e de fácil acesso. Sem intenções de entrar em discussões "teológicas" ou doutrinárias com ninguém. Caso queira ler, clique na opção abaixo: "ler mais".
O
capítulo 1º do livro de Shemot (êxodo) começa falando dos filhos que Jacó que
foram para o Egito juntamente com suas famílias.
· Vs.
5: “e toda as almas que saíram da coxa de Jacob foram 70
almas. E José estava no Egito”.
Interessante
notar que o texto fala que José estava no Egito, e não que ele viveu no Egito
por 90 anos. Ou seja, apesar de sua vida estar situada no Egito, ele estava ali
de passagem, como estrangeiro, pois seus valores permaneciam os mesmo da casa
de seu pai. Sendo assim, José não foi assimilado pela cultura egípcia, mas
manteve a fé no Eterno.
Toda
família de Israel que foi com ele para o Egito, contabilizava 70 pessoas. Mas
José não é contabilizado como sendo descendente dele neste momento. Mas por quê?
O que isso quer dizer? Sabemos que nenhuma letra da Torá é em vão, desse modo,
cada palavra tem um significado muito profundo. Teoricamente, José só não
estava sendo contabilizado porque não entrou na terra do Egito com seu pai,
assim como os seus irmãos, PORÉM, o texto fala de todas as almas que procederam
de Jacó. E nisto José se inclui obviamente, pois era filho dele.
Caso
tivesse sido escrito “Todas as almas, pois, que procederam da coxa de Jacó,
foram setenta almas e José, porém, ***[que]*** estava no
Egito” – Bíblia Hebraica Sttutgartensia, ao invés de “Todas as almas que saíram
da coxa de Jacó foram 70 almas. E José [Iossef] estava no Egito”- Bíblia
Hebraica Sêfer; não geraria nenhuma ambiguidade. Notem que apesar de usar
versões de bíblias hebraicas diferentes, ambas falam a mesma coisa. E em ambas
a falta da preposição “que” muda o sentido de toda frase.
***Fica claro, neste caso, que o “que”
acima grifado de vermelho foi adicionado por mim para fazer exposição do
sentido que a frase teria caso tivesse sido utilizado.
Mas
o que isso quer dizer? José não gera tribo, no seu lugar ficam seus filhos
Efraim e Manassés. Nem mesmo é anexado ao “hall” dos patriarcas (Abraão, Isaac,
Iaacov). E apesar de ter se mantido fiel a Unidade do Eterno em meio a idolatria
egípcia, nem mesmo é contado entre uma das almas descendentes de seu pai?
Bem,
na minha humilde opinião, este simples texto: “Todas as almas que saíram
da coxa de Jacó foram 70 almas. E José [Iossef] estava no Egito”, quer
dizer algo muito profundo. De fato, José passa por uma série de coisas em sua
vida. Era o filho mais dedicado a Torá do Eterno (que ainda não era formal, mas
já existiam em forma de leis mais simplificadas), tanto que dominava a escrita
e contas, e do Eterno tinha revelações. Sua caminhada no Egito não foi
diferente. E, apesar de alguns erros, que os sábios do povo judeu apontam em
sua caminhada – como qualquer outra pessoa-, tinha uma missão muito grande.
É
certo que os filhos do grande patriarca Isaac, perfeito em seus caminhos,
literalmente o filho da promessa, aquele que nunca pisou fora das terras de
Canaã, seriam muito elevados. Passei a vida inteira sem entender a relação de
Esaú e Iaacov, e até mesmo achando que a participação de Isaac era pouca, já
que a Torá traz pouco de sua vida. Para mim, assim como para muitos, Iaacov era um
malandro (D’us nos livre de pensar algo assim novamente), alguém que queria se
aproveitar de Esaú. Porém com um pouco de estudo com os sábios do povo judeu,
percebi que não era bem assim. Ambos os filhos de Iaacov gerariam descendência
abençoadas. Um, Machiach ben Davi (Messias filho de Davi) e outro Mashiach ben
Iossef (Messias filhos de José). Ambos conceitos judaicos que necessitam de
estudos para serem bem compreendidos e não se encaixam nos conceitos anexados
por outras religiões. Dois redentores Machiach, que pela tradição judaica,
inaugurarão a era messiânica. Dentro da visão judaica, claro, há a possibilidade do conceito de mashiach ben Iossef ser uma sefirot (representando Guevurá-força), enquanto mashich ben Davi ser a sefirot que representa Misericórdia. Neste caso, só haverá um Mashiach que traz em si as duas sefirot.
De
Esaú viria Mashiach Ben Davi e da Iaacov, Mashiach Ben Iossef. Quando Esaú
(Essaf), se volta contra o Eterno tendo a iniciativa de vender sua
primogenitura – que significa direito concedido por Hashem ao primogênito de
ser o sacerdote e entregar sacrifícios), ele estabelece que não tinha interesse
pelo cumprimento das leis do Eterno da maneira como Ele havia instituído. Não
que ele não quisesse uma espiritualidade, ou contato com o Todo Poderoso, só
não queria trilhar o caminho que Hashem havia traçado. Ou seja, queria luz
sem mérito. Notem que de Essaf, vem Edom (os descendentes de Essaf são
Edom), dita nas profecias como uma designação abrangente dos filhos de Israel
(física e espiritual). Sendo assim, foi tirado dele (Esaú) o direito de ter em
sua descendência o Mashiach, e seu povo (os conceitos espirituais –já que os
edomitas não existem mais), apesar de grande, contende contra o Eterno e será
derrotado.
Logo,
em Iaacov as promessas do Eterno deveriam se cumprir. Dessa forma, Maschiah
teria que vir exclusivamente de sua descendência. E neste caso, 2 Mashiach.
Para o judaísmo, apesar de haver um grande messias (Mashiach ben Davi), muitas
outras pessoas cumprem papel de messias em seu tempo. Como por exemplo, os
grandes tsadikin (justos do povo judeu), pessoas que aprendem a doar mais do
que receber e que ajudam na retificação do mundo. O conceito de Mashiach Iossef
é um conceito do povo judeu. “A tarefa essencial de Mashiach bem Iossef é atuar
com precursor de Mashiach ben Davi: ele prepara o mundo para a vinda do
redentor final” e Machiach ben Davi é “o real (final) redentor que governará na
era messiânica”. Mashiach ben Iossef, (Messias descendente de José), da tribo
de Efraim (filho de José- Iossef) e Mashiach ben Davi (Messias filho de Davi),
da tribo de Judá. Ou seja, de Iaacov vêm a redenção do povo judeu! Bendito seja
D’us.
“Edom
será esmagado através da prole de José. Assim foi profetizado de
antigamente ‘A Casa de Jacó será um fogo e a Casa de José uma chama,
e a Casa de Esaú para o restolho.’ ( Obadias 1:18) : a descendência de Esaú será
entregue apenas Nas mãos da prole de José ".Este confronto final entre
José e Esaú é aludido no próprio nascimento de José quando sua, Rache,
exclamou: “D’us tirou a minha desgraça” (Gn. 30:23): com visão profética ela
previu que um salvador ungido descerá de José e removerá a desgraça de Israel.
“ (fonte: Chabad)
Com
essa pequena explicação, podemos retomar ao texto de Shemot. E retomamos a
pergunta: “A alma de José não era descendente de Iaacóv?”. Na minha visão, esse
versículo é uma profecia dizendo que a alma de José (Iossef) era um prelúdio da
alma de Mashiach bem Iossef, seu descendente.
Todos
os textos dizem que José ESTEVE no Egito, enquanto viveu por 110 anos. Ou seja,
em sua estadia (longa) no Egito não deixou de ter aquilo que lhe conferia vida,
a adoração ao Único e verdadeiro D’us.
O
último capítulo de Bereshit (Gênesis), diz que José morreu, foi embalsamado e
ficou na terra do Egito em um caixão, mas antes fez com seus descendentes
jurassem que levariam seus ossos para Canaã para descansar com seus pais. Em
Shemot (êxodo) 13.19, Moshe (Moisés) cumpre a promessa feita 430 anos depois,
levando seus ossos embora do Egito.
Mas
ainda assim, no Cap 1, vs 8-9, diz: “Depois levantou-se um novo rei sobre o
Egito, que não conhecera a José; O qual disse ao seu povo: Eis que o
povo dos filhos de Israel é muito, e mais poderoso do que
nós”.
Como
um governador do Egito morreria com todas as honras devidas de sua posição
(tirando a psicostasia e rituais religiosos). Tem seu caixão deixado no Egito,
seu corpo é retirado de lá quase meio século depois, sua família vai habitar no
Egito e se torna numerosa lá, mas ele (que obviamente é antecessor da
libertação dos hebreus) diz que não conhece José? No mesmo raciocínio, como ele
não teria conhecimento sobre José se diz: “o povo dos filhos de Israel”, ou
seja, atribui nominalmente aquele povo a um homem específico (Israel) que só
chegou em terras egípcias por causa da posição de seu filho, José. Logo, este
texto quer revelar que na verdade, este novo rei conhecia bem a história deste
povo e de quem os levou para lá, mas a desprezava.
Ainda
este versículo, falando sobre “o povo dos filhos de Israel (Jacó), mostra que
estes (seus filhos), mantiveram a prática da Torá até a morte como ensinada por
ele. Criando um povo que seguia esses ensinamentos e, consequentemente, seguia
Israel.
Pulando
um pouco, o versículo 14 fala que os filhos de Israel se amarguraram por causa
dos serviços as quais eram submetidos e o rigor com que eram tratados. Ainda
assim, suas mulheres eram muito férteis e a população só aumentava, o que
deixava os egípcios mais cansados deles e punindo-os cada vez mais.
E
por isso, Faraó dá a primeira sentença de genocídio ao povo hebreu. Nos vs
15-16, em conversa com parteiras hebreias, ele dá a ordem matar todos os
meninos assim que acabassem de nascer, mas que deixassem as meninas viver. O
que podemos aprender com isso?
O
texto é claro em dizer que o que irritava o rei egípcio era o fato dos hebreus
crescerem tanto e serem numerosos. A ponto de conjecturar que poderiam crescer
a ponto de se aliarem a outros povos em guerras contra eles. Há de se convir
que este rei, pode representar vários reis (faraós) que viram essa condição se
repetir ano a ano. A média de filhos, de acordo com os sábios do povo judeu,
era de 8 por família. Sendo assim, as mulheres representavam uma potência
devido a sua grande capacidade (benção) de gerar filhos e multiplicar o povo
sobre a terra.
Dessa
maneira, Faraó busca eliminar o contingente populacional masculino (que
poderiam ser futuros guerreiros ou simples pais de família), mas manter as
meninas. Bem, caso não houvesse hebreus para que elas se casassem futuramente,
com quem iriam casar? O Faraó, maior responsável por decidir o futuro do Egito,
queria criar um desequilíbrio populacional com uma terra com muitas mulheres e
poucos homens? Não. Mas essas meninas, a menina que não tivessem mais homens do
povo delas, poderiam ser anexadas a cultura egípcia através do casamento. Sendo
assim, a benção da fertilidade- que claramente estava sobre elas- fariam os
egípcios crescessem mais em número e força.
As
parteiras – Puá, cujo nome significa esplêndido ou clamor, gemido / Sifrá- ser
justo ou belo-, desacatando a ordem do Faraó por temor a Hashem, continuam
fazendo os partos normalmente. Pois sabiam que matar é uma gravíssima
transgressão e a competência delas era trazer luz (vida) para o mundo e não o
contrário. Quando confrontadas por ele, disseram que as mulheres hebreias não
eram como as egípcias, mas eram sábias (versão Sêfer)/ vivas (na versão
Sttutgartensia) e, por isso, já tinham dado a luz antes que elas chegassem para
realizar o parto. Ou seja, elas eram abençoadas por Hashem e o parto era de luz
(assim como Faraó imaginava), pois viviam suas vidas baseadas nos ensinamentos
dEle. E o Eterno vendo a posição das parteiras, abençoou-as e multiplicou o
povo.
E
por fim, no vs 22, “ordenou Faraó a todo o seu povo, dizendo: A todos os filhos
que nascerem lançareis no rio, mas a todas as filhas guardareis com vida”.
Faraó
ordena a todo povo para matar os meninos recém-nascidos. Mas será que foi isso
mesmo? Não teria acontecido uma guerra civil já que os hebreus estavam em
grande número perante os egípcios? As pessoas comuns invadiram a casa dos
hebreus para matar seus filhos? O que isso pode nos dizer?
Bem,
a Torá tem sempre uma interpretação física, mas outra espiritual. E muitas
vezes essas se misturam. Diante da realidade dos egípcios para com o Nilo é
complicado pensar em jogar diversas crianças ao longo dos anos nele. Pois, para
eles o Nilo era como um deus. Ele trazia a provisão da agricultura, água para
beber, irrigação, transporte (navegação), pesca, pecuária, higiene pessoal,
entre outras coisas. Toda vida do Egito (que não podemos esquecer, fica
localizado em um deserto) dependida das cheias do Rio Nilo, que era sagrado.
Fazia
sentido jogar bebês vivos no rio e prejudicar todo fonte de vida deles?
Imaginemos a quantidade de cadáveres que ficariam flutuando e depois se
degradando na água. Obviamente que também seriam comidos por animais, mas até
chegar neste ponto, pensemos o quanto de contaminação que essas águas –
consideradas sagradas- teriam. Sendo assim, no meu ponto de vista, jogá-los no
rio é mais uma expressão do que um ato físico. Pois jogá-los lá, em algo que
consideravam sagrado e essencial, simboliza mergulharem/se afogarem/ nas águas
do rio, ou seja, na cultura egípcia, não tendo mais uma identidade hebreia, mas
sendo anexados pela idolatria.
Um
decreto físico pode ter ocorrido? Sim, claro, mas este, com certeza não deve
representa-lo materialmente, mas em como as coisas seriam feitas no modo
espiritual.
Por
conta deste decreto, Joquebede coloca Moshe (Moisés) em um cesto e lança-o nas
águas do Nilo. Este, depois é falado no cap 2, é encontrado por uma filha do
Faraó que o adota como se fosse seu filho. Ora, Faraó decreta a morte de todos
os meninos, mas permite que 1 menino fosse salvo? E depois que fosse cuidado
por sua própria mãe (Joquebede) que foi sua ama de leite? Era a filha do Faraó
maior que ele para, juntamente com sua comitiva, ir contra ele dessa forma?
Claro que a providência divina faz essas coisas, mas isso reforça a ideia de
que talvez o Nilo não representasse tanto um afogamento físico. Até porque anos
depois, uma geração inteira de homens mais novos que Moshe estavam vivos e
saíram do Egito com ele, como Josué. Então assim que ele foi salvo do Nilo, o
decreto contra os outros acabou?
Aliás,
Joquebede coloca Moshe em um cesto no Nilo. E isso faz uma referência também a
Iossef. Ele esteve no Egito, mas não viveu no Egito. Moshe estava nas águas do
Nilo, mas não afundou nelas.
Baruch
Hashem (Bendito seja o Eterno).




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