janeiro 20, 2017

Estudo de Shemot- capítulo 1

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Sempre fiz estudos bíblicos em meu blog. Hoje, tenho uma visão diferente acerca dos textos do que tinha antes, por conta da minha fé. Tentarei ser clara em tudo que falar. Mas caso alguém tenha alguma dúvida pode deixar um comentário a respeito. Posto, principalmente, para deixar arquivado para mim e de fácil acesso.  Sem intenções de entrar em discussões "teológicas" ou doutrinárias com ninguém. Caso queira ler, clique na opção abaixo: "ler mais".



O capítulo 1º do livro de Shemot (êxodo) começa falando dos filhos que Jacó que foram para o Egito juntamente com suas famílias.

·         Vs. 5: “e toda as almas que saíram da coxa de Jacob foram 70 almas. E José estava no Egito”.

Interessante notar que o texto fala que José estava no Egito, e não que ele viveu no Egito por 90 anos. Ou seja, apesar de sua vida estar situada no Egito, ele estava ali de passagem, como estrangeiro, pois seus valores permaneciam os mesmo da casa de seu pai. Sendo assim, José não foi assimilado pela cultura egípcia, mas manteve a fé no Eterno.

Toda família de Israel que foi com ele para o Egito, contabilizava 70 pessoas. Mas José não é contabilizado como sendo descendente dele neste momento. Mas por quê? O que isso quer dizer? Sabemos que nenhuma letra da Torá é em vão, desse modo, cada palavra tem um significado muito profundo. Teoricamente, José só não estava sendo contabilizado porque não entrou na terra do Egito com seu pai, assim como os seus irmãos, PORÉM, o texto fala de todas as almas que procederam de Jacó. E nisto José se inclui obviamente, pois era filho dele.

Caso tivesse sido escrito “Todas as almas, pois, que procederam da coxa de Jacó, foram setenta almas e José, porém, ***[que]*** estava no Egito” – Bíblia Hebraica Sttutgartensia, ao invés de “Todas as almas que saíram da coxa de Jacó foram 70 almas. E José [Iossef] estava no Egito”- Bíblia Hebraica Sêfer; não geraria nenhuma ambiguidade. Notem que apesar de usar versões de bíblias hebraicas diferentes, ambas falam a mesma coisa. E em ambas a falta da preposição “que” muda o sentido de toda frase.

***Fica claro, neste caso, que o “que” acima grifado de vermelho foi adicionado por mim para fazer exposição do sentido que a frase teria caso tivesse sido utilizado.
Mas o que isso quer dizer? José não gera tribo, no seu lugar ficam seus filhos Efraim e Manassés. Nem mesmo é anexado ao “hall” dos patriarcas (Abraão, Isaac, Iaacov). E apesar de ter se mantido fiel a Unidade do Eterno em meio a idolatria egípcia, nem mesmo é contado entre uma das almas descendentes de seu pai?
Bem, na minha humilde opinião, este simples texto: “Todas as almas que saíram da coxa de Jacó foram 70 almas. E José [Iossef] estava no Egito”, quer dizer algo muito profundo. De fato, José passa por uma série de coisas em sua vida. Era o filho mais dedicado a Torá do Eterno (que ainda não era formal, mas já existiam em forma de leis mais simplificadas), tanto que dominava a escrita e contas, e do Eterno tinha revelações. Sua caminhada no Egito não foi diferente. E, apesar de alguns erros, que os sábios do povo judeu apontam em sua caminhada – como qualquer outra pessoa-, tinha uma missão muito grande.

É certo que os filhos do grande patriarca Isaac, perfeito em seus caminhos, literalmente o filho da promessa, aquele que nunca pisou fora das terras de Canaã, seriam muito elevados. Passei a vida inteira sem entender a relação de Esaú e Iaacov, e até mesmo achando que a participação de Isaac era pouca, já que a Torá traz pouco de sua vida. Para mim, assim como para muitos, Iaacov era um malandro (D’us nos livre de pensar algo assim novamente), alguém que queria se aproveitar de Esaú. Porém com um pouco de estudo com os sábios do povo judeu, percebi que não era bem assim. Ambos os filhos de Iaacov gerariam descendência abençoadas. Um, Machiach ben Davi (Messias filho de Davi) e outro Mashiach ben Iossef (Messias filhos de José). Ambos conceitos judaicos que necessitam de estudos para serem bem compreendidos e não se encaixam nos conceitos anexados por outras religiões. Dois redentores Machiach, que pela tradição judaica, inaugurarão a era messiânica.  Dentro da visão judaica, claro, há a possibilidade do conceito de mashiach ben Iossef ser uma sefirot (representando Guevurá-força), enquanto mashich ben Davi ser a sefirot que representa Misericórdia. Neste caso, só haverá um Mashiach que traz em si as duas sefirot.

De Esaú viria Mashiach Ben Davi e da Iaacov, Mashiach Ben Iossef. Quando Esaú (Essaf), se volta contra o Eterno tendo a iniciativa de vender sua primogenitura – que significa direito concedido por Hashem ao primogênito de ser o sacerdote e entregar sacrifícios), ele estabelece que não tinha interesse pelo cumprimento das leis do Eterno da maneira como Ele havia instituído. Não que ele não quisesse uma espiritualidade, ou contato com o Todo Poderoso, só não queria trilhar o caminho que Hashem havia traçado. Ou seja, queria luz sem mérito. Notem que de Essaf, vem Edom (os descendentes de Essaf são Edom), dita nas profecias como uma designação abrangente dos filhos de Israel (física e espiritual). Sendo assim, foi tirado dele (Esaú) o direito de ter em sua descendência o Mashiach, e seu povo (os conceitos espirituais –já que os edomitas não existem mais), apesar de grande, contende contra o Eterno e será derrotado.

Logo, em Iaacov as promessas do Eterno deveriam se cumprir. Dessa forma, Maschiah teria que vir exclusivamente de sua descendência. E neste caso, 2 Mashiach. Para o judaísmo, apesar de haver um grande messias (Mashiach ben Davi), muitas outras pessoas cumprem papel de messias em seu tempo. Como por exemplo, os grandes tsadikin (justos do povo judeu), pessoas que aprendem a doar mais do que receber e que ajudam na retificação do mundo. O conceito de Mashiach Iossef é um conceito do povo judeu. “A tarefa essencial de Mashiach bem Iossef é atuar com precursor de Mashiach ben Davi: ele prepara o mundo para a vinda do redentor final” e Machiach ben Davi é “o real (final) redentor que governará na era messiânica”. Mashiach ben Iossef, (Messias descendente de José), da tribo de Efraim (filho de José- Iossef) e Mashiach ben Davi (Messias filho de Davi), da tribo de Judá. Ou seja, de Iaacov vêm a redenção do povo judeu! Bendito seja D’us.
“Edom será esmagado através da prole de José. Assim foi profetizado de antigamente ‘A Casa de Jacó será um fogo e a Casa de José uma chama, e a Casa de Esaú para o restolho.’ ( Obadias 1:18) : a descendência de Esaú será entregue apenas Nas mãos da prole de José ".Este confronto final entre José e Esaú é aludido no próprio nascimento de José quando sua, Rache, exclamou: “D’us tirou a minha desgraça” (Gn. 30:23): com visão profética ela previu que um salvador ungido descerá de José e removerá a desgraça de Israel. “ (fonte: Chabad)
Com essa pequena explicação, podemos retomar ao texto de Shemot. E retomamos a pergunta: “A alma de José não era descendente de Iaacóv?”. Na minha visão, esse versículo é uma profecia dizendo que a alma de José (Iossef) era um prelúdio da alma de Mashiach bem Iossef, seu descendente. 
Todos os textos dizem que José ESTEVE no Egito, enquanto viveu por 110 anos. Ou seja, em sua estadia (longa) no Egito não deixou de ter aquilo que lhe conferia vida, a adoração ao Único e verdadeiro D’us.
O último capítulo de Bereshit (Gênesis), diz que José morreu, foi embalsamado e ficou na terra do Egito em um caixão, mas antes fez com seus descendentes jurassem que levariam seus ossos para Canaã para descansar com seus pais. Em Shemot (êxodo) 13.19, Moshe (Moisés) cumpre a promessa feita 430 anos depois, levando seus ossos embora do Egito.

Mas ainda assim, no Cap 1, vs 8-9, diz: “Depois levantou-se um novo rei sobre o Egito, que não conhecera a José; O qual disse ao seu povo: Eis que o povo dos filhos de Israel é muito, e mais poderoso do que nós”.

Como um governador do Egito morreria com todas as honras devidas de sua posição (tirando a psicostasia e rituais religiosos). Tem seu caixão deixado no Egito, seu corpo é retirado de lá quase meio século depois, sua família vai habitar no Egito e se torna numerosa lá, mas ele (que obviamente é antecessor da libertação dos hebreus) diz que não conhece José? No mesmo raciocínio, como ele não teria conhecimento sobre José se diz: “o povo dos filhos de Israel”, ou seja, atribui nominalmente aquele povo a um homem específico (Israel) que só chegou em terras egípcias por causa da posição de seu filho, José. Logo, este texto quer revelar que na verdade, este novo rei conhecia bem a história deste povo e de quem os levou para lá, mas a desprezava.
Ainda este versículo, falando sobre “o povo dos filhos de Israel (Jacó), mostra que estes (seus filhos), mantiveram a prática da Torá até a morte como ensinada por ele. Criando um povo que seguia esses ensinamentos e, consequentemente, seguia Israel.

Pulando um pouco, o versículo 14 fala que os filhos de Israel se amarguraram por causa dos serviços as quais eram submetidos e o rigor com que eram tratados. Ainda assim, suas mulheres eram muito férteis e a população só aumentava, o que deixava os egípcios mais cansados deles e punindo-os cada vez mais.

E por isso, Faraó dá a primeira sentença de genocídio ao povo hebreu. Nos vs 15-16, em conversa com parteiras hebreias, ele dá a ordem matar todos os meninos assim que acabassem de nascer, mas que deixassem as meninas viver. O que podemos aprender com isso?

O texto é claro em dizer que o que irritava o rei egípcio era o fato dos hebreus crescerem tanto e serem numerosos. A ponto de conjecturar que poderiam crescer a ponto de se aliarem a outros povos em guerras contra eles. Há de se convir que este rei, pode representar vários reis (faraós) que viram essa condição se repetir ano a ano. A média de filhos, de acordo com os sábios do povo judeu, era de 8 por família. Sendo assim, as mulheres representavam uma potência devido a sua grande capacidade (benção) de gerar filhos e multiplicar o povo sobre a terra.

Dessa maneira, Faraó busca eliminar o contingente populacional masculino (que poderiam ser futuros guerreiros ou simples pais de família), mas manter as meninas. Bem, caso não houvesse hebreus para que elas se casassem futuramente, com quem iriam casar? O Faraó, maior responsável por decidir o futuro do Egito, queria criar um desequilíbrio populacional com uma terra com muitas mulheres e poucos homens? Não. Mas essas meninas, a menina que não tivessem mais homens do povo delas, poderiam ser anexadas a cultura egípcia através do casamento. Sendo assim, a benção da fertilidade- que claramente estava sobre elas- fariam os egípcios crescessem mais em número e força.

As parteiras – Puá, cujo nome significa esplêndido ou clamor, gemido / Sifrá- ser justo ou belo-, desacatando a ordem do Faraó por temor a Hashem, continuam fazendo os partos normalmente. Pois sabiam que matar é uma gravíssima transgressão e a competência delas era trazer luz (vida) para o mundo e não o contrário. Quando confrontadas por ele, disseram que as mulheres hebreias não eram como as egípcias, mas eram sábias (versão Sêfer)/ vivas (na versão Sttutgartensia) e, por isso, já tinham dado a luz antes que elas chegassem para realizar o parto. Ou seja, elas eram abençoadas por Hashem e o parto era de luz (assim como Faraó imaginava), pois viviam suas vidas baseadas nos ensinamentos dEle. E o Eterno vendo a posição das parteiras, abençoou-as e multiplicou o povo.

E por fim, no vs 22, “ordenou Faraó a todo o seu povo, dizendo: A todos os filhos que nascerem lançareis no rio, mas a todas as filhas guardareis com vida”.
Faraó ordena a todo povo para matar os meninos recém-nascidos. Mas será que foi isso mesmo? Não teria acontecido uma guerra civil já que os hebreus estavam em grande número perante os egípcios? As pessoas comuns invadiram a casa dos hebreus para matar seus filhos? O que isso pode nos dizer?

Bem, a Torá tem sempre uma interpretação física, mas outra espiritual. E muitas vezes essas se misturam. Diante da realidade dos egípcios para com o Nilo é complicado pensar em jogar diversas crianças ao longo dos anos nele. Pois, para eles o Nilo era como um deus. Ele trazia a provisão da agricultura, água para beber, irrigação, transporte (navegação), pesca, pecuária, higiene pessoal, entre outras coisas. Toda vida do Egito (que não podemos esquecer, fica localizado em um deserto) dependida das cheias do Rio Nilo, que era sagrado.

Fazia sentido jogar bebês vivos no rio e prejudicar todo fonte de vida deles? Imaginemos a quantidade de cadáveres que ficariam flutuando e depois se degradando na água. Obviamente que também seriam comidos por animais, mas até chegar neste ponto, pensemos o quanto de contaminação que essas águas – consideradas sagradas- teriam. Sendo assim, no meu ponto de vista, jogá-los no rio é mais uma expressão do que um ato físico. Pois jogá-los lá, em algo que consideravam sagrado e essencial, simboliza mergulharem/se afogarem/ nas águas do rio, ou seja, na cultura egípcia, não tendo mais uma identidade hebreia, mas sendo anexados pela idolatria.

Um decreto físico pode ter ocorrido? Sim, claro, mas este, com certeza não deve representa-lo materialmente, mas em como as coisas seriam feitas no modo espiritual.
Por conta deste decreto, Joquebede coloca Moshe (Moisés) em um cesto e lança-o nas águas do Nilo. Este, depois é falado no cap 2, é encontrado por uma filha do Faraó que o adota como se fosse seu filho. Ora, Faraó decreta a morte de todos os meninos, mas permite que 1 menino fosse salvo? E depois que fosse cuidado por sua própria mãe (Joquebede) que foi sua ama de leite? Era a filha do Faraó maior que ele para, juntamente com sua comitiva, ir contra ele dessa forma? Claro que a providência divina faz essas coisas, mas isso reforça a ideia de que talvez o Nilo não representasse tanto um afogamento físico. Até porque anos depois, uma geração inteira de homens mais novos que Moshe estavam vivos e saíram do Egito com ele, como Josué. Então assim que ele foi salvo do Nilo, o decreto contra os outros acabou?

Aliás, Joquebede coloca Moshe em um cesto no Nilo. E isso faz uma referência também a Iossef. Ele esteve no Egito, mas não viveu no Egito. Moshe estava nas águas do Nilo, mas não afundou nelas.

Baruch Hashem (Bendito seja o Eterno). 

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